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saracasticamente

Cenas de um baptizado

Duas horas. Porque raios necessita uma criança de duas horas para ser baptizada?

Nem o maior dos pecados precisa de tanto tempo para ser redimido.

 

Foram 120 minutos de tédio, em que em 5 dos quais foram efectivamente baptizadas crianças. O tempo restante foi preenchido com sermões, rezas e cânticos.

 

Foi feito de tudo para nos manter durante duas horas fechados numa igreja. Até se rogou aos santinhos todos. Literalmente. Foram 5 minutos disto:

 

"São Miguel, rogai por nós.

São Gabriel, rogai por nós.

São Lourenço, rogai por nós. 

São Paulo, rogai por nós.

São Pedro, rogai por nós.

.........

...... "

 

E foi isto. Repetido 38 vezes... Sim, 38 (eu não sabia que havia tanto santo).

Para depois acabar com "Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós."

Mas então não podíamos ter começado logo por aqui? Pedia-se logo aos santinhos todos de uma vez e estava o assunto resolvido. Mas não... A vitela do almoço que espere.

 

E o sermão do Padre? Um discurso muito bonito sobre a importância das crianças nas nossas vidas. Sem crianças a nossa vida não tem rumo, não tem objectivos. É uma vida vazia. Uma casa sem crianças a correr e a partir coisas não é uma casa. Foi um discurso muito bonito. E eu perguntava-me quantos filhos terá o Senhor Padre lá em casa a dar rumo à sua vida...

 

Apesar do desespero, e da fome, houve alguns momentos em que julguei que o Padre ia tornar o discurso mais interessante, ou pelo menos mais coerente.

Quando perguntou como tinha sido a época de Quaresma pensei por instantes que iria lançar uma qualquer metáfora futebolística e animar um bocado a coisa. Mas afinal não era desse Quaresma que falava... Era só mais um pretexto para queimar tempo e justificar o guito que a malta pagou.

 

A esperança renasceu quando julguei o ouvir dizer para o acompanharmos no créu. Wow! Finalmente uma dança sensual para abanar o rabo que já está quadrado de estar tanto tempo sentado. Ah, não. Afinal é o credo... mais uma oração... 

 

Mas numa coisa tenho de dar mérito ao Padre. No final da missa já tinha despertado o espírito religioso que há em mim. Valha-me Deus, pelo amor de Deus e Deus me livre já eram expressões que dominavam o meu vocabulário.

 

E quando eu pensava que estava finalmente livre deste suplício alguém me relembra que no próximo mês é a comunhão...

 

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