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saracasticamente

Pai vs Progenitor

Ontem foi Dia do Pai e o meu facebook (para não variar) foi inundado por fotos e dedicatórias aos pais.

E só ontem me apercebi de uma coisa, todos os posts se referiam à importância dos pais nas nossas vidas. Alguns filhos falavam de como o seu pai é o melhor do mundo (e aproveito para dizer que o meu é que é o melhor do mundo), outros falavam das saudades que sentiam dos pais que já não estão ao seu lado.

 

E ontem lembrei-me, pela primeira vez, daqueles que nunca tiveram pai. Daqueles que apenas tiveram um progenitor que contribuiu para as suas vidas, formação e felicidade unicamente com um espermatozóide.

Como se sentem esses filhos neste dia?

Fui abençoada com um pai fantástico e durante 31 anos no papel de filha nunca parei para pensar naqueles que não tiveram a mesma sorte que eu.

 

E porque me lembrei disto este ano? Porque o meu Ex-Coiso é um desses progenitores. Tem uma filha, agora adulta, de quem nada sabe além do nome.

Quando ele me contou a história (numa versão em que obviamente ele é que ainda é a vítima) senti pena da miúda. Ingenuamente sempre acreditei que ter um pai fosse um direito adquirido. Mas aquela miúda nunca o teve. Nunca recebeu um beijo ou um abraço do pai, nunca riu das piadas dele, nunca gozou com ele (este aspecto é fundamental na relação pais e filhos!), nunca sentiu a segurança de que acontecesse o que acontecesse o pai estaria do lado dela para a proteger.

 

Eventualmente ela ontem terá pensado no progenitor que a abandonou e em como teria sido a sua vida se ele não o tivesse feito. Ela não sabe, mas não o ter conhecido terá sido provavelmente a melhor coisa que lhe aconteceu! E quero acreditar que a vida colocou no caminho dela um Pai com P maiúsculo que fez por ela tudo o que um cobarde, que nem a responsabilidade de usar preservativo é capaz de assumir, deveria ter feito.

 

A B. certamente não lerá isto, mas outras e outros B. lerão (eu continuo a acreditar que há pessoas que perdem tempo a ler isto).

A todos esses eu quero mandar um beijinho muito especial (sei que nao vale nada mas é com carinho tá?!) e dizer-vos que não terem o pai biológico ao vosso lado terá sido muito provavelmente a resposta da vida à oração "...e livrai-nos do mal. Amém."

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