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saracasticamente

Ser ou não ser fútil? Eis a questão!

Sou uma gaja fútil. Assumo. Passo os dias a pensar em roupa, sapatos, malas, jóias, maquilhagem, restaurantes, hotéis e viagens. Os meus objectivos de vida resumem-se basicamente a isto.

 

Cada vez que vou ao IPO sinto um enorme peso na consciência por ser tão fútil. Por me preocupar com a mala X que está esgotada ou por os voos para o destino Y estarem demasiado caros, quando há pessoas com verdadeiros problemas nas suas vidas.

 

Mas ontem, ontem foi diferente. Ontem conheci a L., uma menina de 10 anos. A L. está internada há vários meses, tem lutado contra graves complicações com um sorriso e uma energia difíceis de descrever. A L. tem de tomar medicação que tem um sabor horrível, de ser picada várias vezes ao dia, de estar ligada a vários fios. Está privada da família, dos amigos, fechada num quarto de hospital.

Mas nas duas horas que estive com ela apenas se queixou do facto de não poder ter as unhas pintadas! Apreciou e elogiou as minhas unhas, e pediu para na próxima semana mostrar-lhe fotos de outras decorações que já fiz, enquanto falava de como gosta de pintar as unhas e quais as cores que mais gosta. Pediu para descrever o vestido que usei recentemente num casamento e pediu também fotos do mesmo. Perguntou ainda que mala e sapatos usei com o vestido. Perguntou-me também pelas viagens que realizei e pediu-me sugestões de locais a visitar porque o maior desejo dela é conhecer o mundo.

 

A L. é exactamente como eu! A L. tem cancro e continua a ser exactamente como eu!

E ontem, pela primeira vez, saí do IPO sem qualquer peso na consciência. Porque afinal podemos ocupar a nossa mente com futilidades mesmo quanto temos problemas. Porque afinal essas futilidades podem até ser a motivação para superar esses mesmos problemas.

Fútil, ou não, o que importa mesmo é ser feliz.  

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