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saracasticamente

O lado G da vida #14

Se queremos conhecer alguém, é essencial fazer perguntas, ouvir o que o outro nos tem para contar e claro, tentar ao máximo não fazer juízos de valor antecipados.

 

Óbvio que tudo isto não passa de filosofia barata, mas eu, confesso que vivo em constante terror por uma simples questão, que, em boa parte dos casos (pelo menos no universo gay), acontece cedo, demasiado cedo...

 

Recentemente conheci um indivíduo, cuja transparência me agrada, e que desde logo fez questão de dizer que é um gajo "..experiente e com número de parceiros bastante considerável..." (palavras dele). Ao final de 3 encontros, lá surgiu a temida questão. "Com quantas pessoas já estiveste?!"

 

Normalmente costumo responder com outra pergunta... "Mas... este ano? Mês?".. É que uma pessoa nem sempre tem a calculadora à mão e fica caro fazer uma regressão num especialista (se bem que no meu caso precisaria de várias sessões para conseguir contabilizar a totalidade das pessoas).

 

Decidi ser honesto, não me envergonha o que faço com aquilo que me foi dado e que o ginásio tonifica... "Não faço a menor ideia...mas este ano deve ter andado ali entre 30 e 100...". Toda uma máscara de terror assolou o rosto da referida pessoa... Devolvi a questão..(afinal ele esteve com um número considerável de parceiros...), ao que ele responde "Ah, foram 23..... mas....bem, não me interessa o teu passado, daqui para a frente é que conta...".

 

Querido o gajo de ter esperança que eu, perante tal declaração de fofura, mantém a esperança que eu ainda me consiga salvar do demónio da promiscuidade.

 

É assim, o lado G da vida,

B.

O lado G da vida #13

Há esforços que valem a pena. Atitudes que não mudando o mundo, alteram a nossa felicidade e eu, ávido adepto de me fazer feliz, realizei umas quantas.

 

Faz não muito tempo, criei um perfil no Grindr, aplicação esta que traz à tona todo um tsunami de estereótipos sobre os gays, confirmando que um gajo faz de tudo (ou quase) na arte de bem engatar os gostosos das fotos de corpo fibrado.

 

Num desses contos de fadas, conheci um tipo lindo, e procurei forma de o abordar. Na hiperligação para o facebook dele, percebi o meu bode expiatório: gostos musicais! Depeche Mode, Kate Bush, David Bowie, Sigur Rós...("Está no papo!- pensei eu), afinal tinha ali 75% de chance de fazer um brilharete! Pois que o Karma, esse meu inimigo prá vida, faz com que a criatura venerasse...SIGUR ROS(sim, exactamente aqueles 25% que me lixam!).

 

Podia ter sido sincero, fazer a coisa certa, assumir a minha ignorância, mas optei por dizer que também os adorava!! Ele estava próximo a sair do trabalho, por isso ficou combinado que dali a 6h, passaria em minha casa.

 

A quem criou a Wikipedia e o Google o meu agradecimento. Foi todo um processo de aprendizagem online. Assim, quando ele chegou, quero eu acreditar que para além da correta pronúncia dos Albuns, das origens da banda e até de algumas curiosidades sobre cada elemento, o facto de até ser engraçado ajudou a ter corrido...muito bem!

 

Aproveito, em jeito de nostalgia neste Saracasticamente que tanto público abarca, quiçá até na Islândia, para agradecer ao Jón Þór (Jónsi) Birgisson, ao Georg Hólm e finalmente ao Ágúst Ævar Gunnarsson, que atualmente compõe os Sigur Rós, a magnífica noite que me proporcionaram.

 

É assim, o lado G da vida,

B.

O lado G da vida #12

Aqui há uns tempos, decidi comprar 2 bancos no IKEA. Aproveitava e conseguia um dois em um: teria a possibilidade de provar os meus dotes de handyman principalmente ao meu pai(pessoa à qual recorro sempre que o mais simples problema acontece em minha casa), e ficava com bancos decentes no meu lar.

 

Mãos à obra! Caixa aberta, e todo um arsenal de parafusos e brocas e terminologia nas instruções que são hebraico para mim! Não desisti, não ia deixar que a 1a meia hora em que tive a olhar para o raio dum papel com 10 passos me demove-se! Persisti, ganhei mais 50 cabelos brancos e ao final de 2h e 30m terminei a construção. Hora de beber vinho e celebrar!(afinal nas instruções nada dizia que uma pessoa normal acabaria aquilo em X tempo e achei ter sido rápido!).

 

Óbvio que o próximo banco já não o construí. Chamei o meu pai!(somente pela necessidade de comparar tempo de construção). Pois bem, as 2h30m serviram para o meu pai construir o banco, beber 1 café, ir fumar 2 cigarros à varanda, afinar o meu(sim, quando terminei o meu, ele rangia, mas eu pensei que fosse um banco daqueles vintage com personalidade), e tentar motivar-me dizendo que para tentativa até tinha sido boa...

 

Ao menos um dos objetivos iniciais a que me propus foi alcançado..e agora já consigo sentar os meus amigos à mesa...

 

É assim o lado G da vida,

B.

O lado G da vida #11

Decidi hoje presentear-vos com os detalhes mais íntimos do meu último...."relacionamento"..

 

B. conhece rapaz lindo de morrer no Tinder. Ele, o R., corresponde gostando (muito segundo ele) do que viu do B. Começam a trocar mensagens, fotos e vídeos(nada digno de bolinha vermelha que sou um gajo sério). Em 3 dias já conhecem um pouco da vida e expectativas da mesma um do outro, e pensam numa altura para o encontro cara a cara. A troca de mensagens é contínua e cada vez mais frequente. O B. fica ainda mais feliz porque contrariamente à licenciatura que tem(ao que os pais apelidam carinhosamente de "Tu és formado em quê mesmo? É Comunicação qualquer coisa....") o R. é médico! Todo um tsunami de orgulho do B. ter um homem ao lado que tem uma profissão e um curso a sério começa a inundar-me(ainda que metaforicamente). O B. ia passar a ser conhecido como o "gajo que anda com o médico gostoso!".

 

B. sabe que o R. vem ao Porto para um piquenique, e começa a provocar R. para um encontro. O R. diz que vai a um piquenique no Parque da Cidade e pergunta se o B. vai atrás dele por lá, e após mais mensagens e mais provocações e ainda mais flirt, o B. brinca dizendo(e estou a parafrasear): "Não vou para o Parque da Cidade para a beira da bixeza procurar uma bixa" (acrescento que o disse com um smile na frente e acrescentei um outro com um beijinho de onde saía um coração). R. leva aquilo tanto a mal que termina a conversa de forma abrupta, indicando que não admite ser chamado de bixa, que é um insulto à sua masculinidade, que não me permite tal confiança. Acrescenta que "..paneleiro, gay, homossexual pode ser, mas bixa é depreciativo".

 

O B. lamenta tamanho insulto (o gajo é MESMO mas MESMO giro e só por isso pedi desculpa) e o R. nada. Inundado pelo bom feitio que me assiste, disse que bixa, gay, paneleiro, vai tudo dar à mesma coisa e que isso são sinónimos para dizer que gostamos de pila.

 

Voltei a tentar enviar outro sms, sem sucesso de resposta. A relação terminou.

 

É assim o lado G da vida

B.

O lado G da vida #10

Sou o irmão do meio, entre duas mulheres, uma que é casada há anos e não tem o mínimo de vontade de ser mãe e outra que até tem vontade mas não tem com quem reproduzir.

 

Depois há o B., o gay que se começa a perspectivar perante os seus pais, como o elemento mais favorável à continuidade da "dinastia", ou assim parece após a conversa do jantar de há uns dias.

 

Foi mais ou menos isto:

 

Pai: Oh B., tu não achas que eu e a tua mãe já merecíamos um netinho?

B: Pai, tens noção que eu de forma natural não me vou reproduzir certo? Além do mais, isto da adoção é bonito mas não se chega a uma instituição, pegamos numa criança e a trazemos para casa..

Pai: Eu sei, mas vocês agora até podem adotar. Tu pronto, és solteiro e tens mau feitio, mas tens casa, emprego fixo, se calhar até davas uma boa educação...

Mãe: Pois é, tu até vais gostando de crianças...

B: Eu mal de pessoas gosto, e com elas vou conseguindo comunicar...imaginem com uma criança a cargo..

Pai e Mãe (a encolher os ombros a falar um para o outro): Ele vai pensar nisso! Vais ver!

 

Temo pelo clã "Dias" e pela esperança que os meus pais depositam na geração futura quando eu sou visto como o mais provável e aparentemente desejável elemento para construir uma família padrão...

O lado G da vida #9

Um dos privilégios da vida de solteiro é a possibilidade de termos diversas relações...platónicas, mas relações.

 

Assim, tenho de as manter e isso exige-me por vezes, uma gestão que dá quase tanto trabalho como manter algo com alguém no "mundo real".

 

É, em bom da palavra um horror, porque me obriga, diariamente, a esforços atrozes, como ter de ficar mais uns 20 ou 30m a pedalar, a levantar pesos, ou a participar em mais uma aula de abdominais, à espera daquele momento de intimidade que consiste na ida para o chuveiro do referido homem. Ora aqui levanta-se um problema,... e quando vai 1 e o outro ou outros decidem ficar? Vou ao banho 2 vezes? Vou lavar as mãos durante 5 minutos e regresso? Fico ao lado do cacifo a trocar 30m mensagens com a Sara à espera que os outros apareçam?!

 

Chego à conclusão que nem neste tipo de relacionamento terei qualquer tipo de sucesso, porque às dores corporais que isto me provoca, começo a concluir que conseguirei suportar mais facilmente a dor emocional de perder alguns dos meus namorados, para passar a acordar de manhã sem sentir que fui abalroado por um camião de reposição de stock de saldos para a Primark...

 

É assim o lado G. da vida,

B

O lado G da vida #8

Mais uma sexta mais um post da rubrica O lado G da vida pelo meu B. Não, esta rubrica não é escrita por mim! 

E com ele vos deixo... 

 

 

Trabalhar com público pouco de positivo tem..principalmente para quem já por defeito não gosta de pessoas. Porém, há situações que se não trabalhasse onde trabalho, não aconteceriam, e consequentemente não as podia partilhar.

 

Cliente aproxima-se do balcão. O B. questiona em que pode ajudar.

 

- Boa tarde. Olhe, pretendo atualizar o meu perfil de cliente, uma vez que agora sou empresário..blá blá blá..

- Com certeza, o seu documento de identific....

- Começamos logo assim? A pedir logo coisas sem dar nada em troca?!

- Desculpe, não estou a entender.

- Ah deixe estar, olhe, está aqui e o meu número de casa é o 22.....pode ligar a QUALQUER(houve ênfase nesta palavra).

- Contactá-lo?! É apenas uma alteração que se resolve com o formulário que estou a preencher..

- Pois, pensei que fosse necessário ir lá alguém a casa confirmar?...

-(......) - Não, não.. é que me esqueci da declaração das finanças, podia querer ir recolhê-la.

- Pois, mas pode posteriormente entregar a outra loja, enviar por email para xx@xx.pt.

- Não, deixe estar, eu passo cá na próxima semana, vou de férias. Assim sempre volto a visitá-lo.. à loja, regresso aqui à Maia que tenho família.

- Basta entregar o documento a alguma colega...

- Ou a si? Prefiro a si,...SEM DÚVIDA(voz volta a subir)..

- (...) Pois, bem,...posso ajudar em mais alguma questão?

- Por hoje, já ajudou...ajudou muito...

- (...)

 

É assim, o lado G. da vida,

B.

O lado G da vida #7

Saldos...haja palavra linda!

 

Na verdade, acho que também devia existir uma época do ano em que as pessoas pudessem baixar exigências, estando consequentemente em saldos. Vejamos..estava eu em Meca (que é como quem diz na Zara) e um gajo lindo..moreno, barbudo, bem vestido, ali mesmo no provador do lado..vi-o pela cortina entreaberta. Camisas, calças, tudo lhe ficava eu, e eu a querer que ele me experimentasse a mim..mas não aconteceu, não tive coragem de o abordar, ele não estava em saldo seguramente e eu sou pobre e não posso "pagar" o "preço" dele..digo eu...

 

Então lá foi ele pra caixa e eu fui atrás, levando comigo tudo o que levei pro provador mesmo sem experimentar. Resumindo, tou uns bons euros mais pobre, tenho 3 camisolas que não me ficam bem, mas fiquei com o nome dele (porque estava desconfortavelmente próximo a ele a micar o nome do multibanco!).

 

Agora é só arranjar coragem e enviar a mensagem pelo facebook dele entretanto já encontrei...

 

É assim, o lado G da vida

B.

O lado G da vida #5

Uma vez que Portugal está na final do Europeu, e o Ricardo Quaresma não está cá ainda para cumprir os deveres matrimoniais, decidi partir à descoberta de novos horizontes.

 

Comecei a falar com um homem, giro, barbudo, masculino, enfim...os ingredientes que mais importam, e tive um bom 1º encontro, no qual ficou a promessa de um 2º em breve.

 

Assim, e neste sábado passado, estive com ele.

 

Cenário: Beira-Mar

Estado Mental: Ansiedade

Expectativa: Uns amassos (pelo menos)

Dress-code: Descalabro

Resultado: Tirem-me deste filme

 

Foi aqui que tudo piorou!

Quem é que no seu perfeito juízo vai a um 2º encontro de calções de praia, chinelos e manga cava?! QUEM?! Um pedacinho de mim faleceu...

 

Mas, como um azar nunca vem só, o homem que fotografa que é uma maravilha, que de casaco e calças é um pedaço de mau caminho, só de calção de banho é uma desilusão.

 

É todo um roça-roça de coxas(para mim, as coxas são duas entidades que vivem no mesmo corpo mas nunca se devem cumprimentar), há todo um conjunto de barrigas que se unem..enfim, não há descrição dramática o suficiente para o que me passou pela cabeça.

 

Deste modo, tomei a atitude certa e enviei a mensagem do "...a culpa é minha, não é tua!" e aceito a culpa de apesar do interior dele poder ser efetivamente deslumbrante, quando o exterior é como vi, não me é possível continuar.

 

É assim, o lado G da vida

B.

O lado G da vida #4

Comecei um relacionamento. Sim, é verdade. De 2 em 2 anos, alternando europeu e mundial, o meu coração pertence a 23 homens. Nesta altura, baixo os padrões. Sinto o mesmo amor pelo Quaresma que pelo Pepe, vibro do mesmo modo pelo João Moutinho que pelo Renato Sanches. E se em momentos duvido da minha capacidade de gostar, está Selecção Nacional prova que este gay consegue amar!

 

É toda uma poligamia! Algo incondicional e intrínseco. Não se explica o porquê de se gostar, mas até quem não aprecia futebol, não fica indiferente nestes momentos. Deve ser assim que se sente quem anda com gente feia, não há justificação plausível, mas quando questionamos se a pessoa precisa de gotas prós olhos para ver o/a gajo/a que tem ao lado, nos dizem que "Quem feio ama, bonito lhe parece".

 

E a nossa selecção é assim, joga futebol feio, volta e meia não entendemos bem o motivo pelo qual nos arrebata, mas, tal como neste dia, nos deitamos a pensar nela, e acordamos igual.

 

Só espero isto não signifique de uma forma muito irónica, que preciso dum gajo feio para sentir algo...porque, cá entre nós, estou à procura de um Quaresma...

 

É assim o lado G da vida,

B.