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saracasticamente

Paixões incompreendidas

Sou a apaixonada por moda da família. Sou aquela pessoa que no roteiro de uma viagem inclui a passagem pelas ruas onde ficam as marcas de grife e contempla as montras. Quando digo contemplar, digo ficar especada a admirar a montra, de olhos brilhantes e sorriso parvo no rosto, enquanto o meu imaginário me leva a sítios onde nunca irei. Atribuo a culpa disto ao facto de ter crescido a ver O Sexo e a Cidade. 

 

Ontem chegaram ao meu instagram umas sapatilhas de brilhantes Jimmy Choo. Após alguns segundos a babar partilhei a foto com a família.

 

Eu: Olhem estas sapatilhas, que lindas!!

Mãe: São bonitas, são. Devem ser caras...

Eu: 3 mil euros.

Pai: 3 mil euros por umas sapatilhas?! Olha... 

Eu: Então, são do Jimmy Choo.

Pai: Eu quero lá saber se são do Chin Chu... Vais ali aos chineses e tem lá umas parecidas.  

 

Pior do que isto, só quando a minha prima me disse em Milão que nunca tinha ouvido falar da Hermès... 

Ménage à trois

Os meus miúdos são uma fonte inesgotável de conteúdos para posts.

A semana passada, uma adolescente disse-me que no teste de francês vai sair vocabulário sobre a casa.

 

- Sabes o que é ménage? - pergunta ela logo de seguida.

- Sim, é a limpeza da casa.

- Pois é. A minha professora também nos ensinou o que é ménage à trois... Sabes o que é?

- É quando três pessoas limpam a casa?! - respondi eu já prevendo a diversão do momento.

- Não... (risos) Não sabes mesmo?!

- Se não é o que disse então não sei.

- Ai não... Tu estás mesmo a falar a sério?!

- Estou. Mas afinal o que é ménage à trois?

- Ménage à trois... É quando... É quando três pessoas fazem bebés...

- E são precisas três pessoas para fazer um bebé?!

- Oh!! Tu não estás a perceber! É quando três pessoas fazem o que é preciso para fazer um bebé...

- Sexo?

- Isso!

 

Acho que encontrei uma nova forma de tortura infantil: obrigar os putos a dizer a palavra sexo!

Quando os pés estão no chão, mas a cabeça está na lua

Sou distraída. Vivo num mundo só meu, onde não vejo e nem ouço nada. Se passar por vocês na rua e fizer de conta que não vos conheço é porque não vos vi mesmo ou, no caso da maioria de vocês, porque de facto não vos conheço! 

 

A semana passada, durante uma consulta, deu-me uma daquelas vontades incontroláveis de comer um pastel de nata, quentinho, com  canela. Quem nunca trabalhou a pensar em comida que atire a primeira pedra! 

Antes de dar a consulta seguinte passei pelo hipermercado mais próximo (o nome é irrelevante já que ninguém me paga pela publicidade) para comprar um pastel de nata. Vou à mala buscar a carteira, procuro, procuro e nada de carteira, tinha ficado no saco de desporto. Digamos que este tipo de situações não abona muito a favor da minha prática desportiva... 

 

No dia seguinte, vou à piscina e o meu cartão não abre a cancela. Esfrego de um lado, esfrego do outro, mas a cancela não se abre. Após pedir à recepcionista para me deixar entrar reparo que estava a tentar entrar com o cartão do banco... Em minha defesa são ambos verdes!  

 

Apesar de todas as implicações, na sua maioria humilhantes, que a minha distracção acarreta a verdade é que o meu mundo, aquele que dizem que fica na lua, continua a ser um dos meus locais preferidos para viver...

Traída pela gula

Sou uma fácil! É muito fácil convencer-me a fazer qualquer coisa desde que haja comida envolvida, especialmente se fores doces.

 

E é triste ver como as pessoas aproveitam esta minha fragilidade...

 

Esta semana ligam-me e, após alguma conversa fiada, dizem-me: "olha, um dia destes combinamos e eu vou a tua casa, levo um bolo de côco e ajudas-me a fazer os guardanapos para o jantar de Natal."

 

Foi um golpe baixo... Bolo de côco? Sem ter de sair de casa?

Não sou forte o suficiente para resistir a isto... E por causa disso, vou ter de dobrar 60 guardanapos de papel em forma de pinheiro que me vou lixar! 

Uma desgraça nunca vem só

Então Sara, hoje já te sentes em condições de escrever no blog? Não!

Hoje vi um homem morto à minha frente, daí que também não seja um bom dia. Mas se sempre que acontecer alguma desgraça à minha volta eu não escrever vocês nunca mais terão notícias minhas, por isso estou a tentar abstrair-me da imagem que tenho na minha cabeça para vos fazer este post.

 

Depois de ver um homem morto, deitado no chão, com sangue a escorrer pela cabeça nada melhor do que chegar a casa e ver junk tv. O programa eleito: Casados à Primeira Vista, só podia ser. Só mesmo um programa onde as pessoas discutem os seus problemas conjugais perante milhões de pessoas é que me poderia distrair de outra desgraça.

 

Enrosco-me numa manta e inicio a maratona. Sim, eu vejo os episódios a posteriori porque assim posso avançar as partes em que a cota se queixa que o marido não lhe dá assistência técnica e, parecendo que não, isso é logo metade do programa.

 

Num dos episódios, o Daniel cuja mulher não o deixa calçar os saltos altos dela (há mulheres que realmente... são cá umas tinhosinhas... já um homem não pode usar sapatos de mulher que elas se passam logo...) teve um almoço com o José Luís (o tal que assiste muita televisão mas não assiste a mulher) enquanto as mulheres deles desfrutavam de um almoço de gajas, ou seja, um almoço onde se fala mal de gajos.

 

O almoço dos homens começou com o Daniel a mostrar o pénis ao Zé Luís. Calma! Era um pénis de louça, típico da terra dele, mas ele tinha de começar por algum lado...

 

E enquanto a mulher do cota se queixava à amiga que o único sexo que teve foi na noite de núpcias o seu marido oferecia marmelada ao outro. Estão a ver a ironia disto, ou sou só eu?

 

O Daniel aproveitou ainda o almoço a dois para confidenciar "nunca pensei comer da tua marmelada Zé Luís".

Pois a mim pareceu-me que ele está mais para comer a marmelada do Zé Luís do que a da mulher...

 

Por estas, e por outras, quando cheguei ao último episódio a minha actividade neuronal estaria bem próxima da do senhor que tinha falecido... 

 

 

 

Mais que um post: um pedido de ajuda

Tenho dificuldades de relacionamento interpessoal. Digo o que quero, o que penso, o que sinto e isso geralmente não é bem visto pelos outros.

Tenho feito um esforço para ser mais comedida, pelo menos naquelas situações que não valem mesmo a pena. Contudo, parece que o meu esforço em ser melhor pessoa é inversamente proporcional ao esforço que as pessoas fazem para não serem umas bestas.

 

Deixo-vos um exemplo de uma troca de mensagens com um gajo:

 

Dia 1

 

Eu: 12.22  - Envio uma ligação

 

(Ainda não tiveste tempo para ver isso? Pediste-me para ver essa merda, perdi o meu tempo e tu nem te dás ao trabalho de abrir o link?) - foi o que eu pensei, mas não disse. 

 

Eu: 22.54 - Já viste?

 

Dia 2

 

Ele: 09.51 - Não xuxu. Vou ver.

 

(Estás a gozar com a minha cara?? Como é que ainda não tiveste tempo para ver isso? Se não querias não me pedias.) - foi o que eu pensei, mas não disse.

 

Dia 3

 

Ele: 10.56 - Ursa? (Ursa é um termo "carinhoso" usado entre nós e não um insulto)

 

(Aqui já não tive mesmo vontade de dizer o que quer que fosse.)

 

Ele: 16.28 - Ui, não me respondes?

Eu: 17.09 - Diz...

Ele: Que foi? Estás chateada?

Eu: Não. Diz.

Ele: Ok. Não digo. Essa postura para mim não.

Eu: Então se não queres dizer nada mandaste mensagem para quê?!

Ele: Mas f**** que resposta seca é essa? Diz? Estás a fazer-me algum favor? Frete?

Eu: Eu trato como me tratam. Se estou seca molha  

Ele: Eu estou a tratar por frete?

Eu: Só tu saberás responder a essa questão...

Ele: Oh Sara poupa-me estas merdas.

Eu: Isso digo-te eu a ti!! Tu é que te vieste queixar que estou seca 

Ele: Ok.

Eu: Não queres falar não fales, agora o drama do ia dizer mas com essa postura já não digo é dispensável.

 

E nunca mais soube nada dele...

Eu esforcei-me, vocês viram que eu me esforcei... Mas afinal o que é que suposto dizer quando alguém nos ignora e ainda nos trata com arrogância por não o bajularmos depois do desprezo que nos deu? 

 

"Olá amor da minha vida, meu raio de sol, minha razão de viver. Cada dia longe de ti é um dia desperdiçado, só contigo a minha vida faz sentido. A que se deve a honra de receber uma mensagem tua? Saber que gastaste alguns segundos do teu precioso tempo para me enviar uma mensagem faz-me sentir verdadeiramente especial. Peço desculpa se não deixei tudo o que estava a fazer para te responder logo, imediatamente, naquele preciso momento em que a enviaste, peço mil desculpas por isso. Eu sei que não mereço o privilégio de te ter na minha vida, mas por favor continua a tratar-me com esse desprezo com o qual já não sei viver. Perdoa-me por ser humana, por ter uma vida e sentimentos. Gosto mais de ti do que de mim própria. Para sempre tua."

 

É isto? É isto que é suposto responder? Se for digam-me que eu gravo já nas mensagens pré-definidas e assim é fácil, sempre que alguém cagar em mim eu envio a mensagem e fica tudo resolvido. Se não for deixem-me sugestões.

Preciso mesmo da vossa ajuda...

 

 

 

Critérios de escolha de marido

Estão duas encalhadas de férias a contemplar num restaurante dois casais.

 

A: Isto é uma coisa que nunca vamos poder fazer.

Eu: Pois não.

A: Sabes do que estou a falar? 

Eu: Sei, claro, das gajas que estão aí na mesa ao lado com os namorados. Mas querias estar aqui com o Choninhas? 

A: Pois, se calhar até não queria... E tu preferias trazer o H. ou o R.?

Eu: O H. porque o R. come muito.

A: Mas o R. não é mais fixe?

Eu: É, eu divirto-me muito mais com ele. Mas tu já viste o que ele come? Nós dividíamos uma dose, ele comia duas doses sozinho e no final a conta era a dividir por todos. Não, não dava.

 

Quando dou por mim até critérios alimentares estão envolvidos na escolha de marido... Vou morrer tão solteira... 

 

 

 

 

 

 

 

Vingança geracional

Quem nunca foi a casa da avó e se viu obrigado a comer até rebolar? Pois eu fui uma dessas vítimas. Não importava a hora do dia, era impossível sair de casa da minha avó sem comer.

 

- Queres uma costeleta? - perguntava ela.

- Oh avó, são 4 da tarde!

- Um iogurtezinho então?

- Não tenho fome!

- Já estou a abrir, agora tens de comer. Vou descascar-te também uma maçã.

 

Toda uma infância marcada pela violência alimentar! 

Recentemente a minha avó sofreu um AVC e tornou-se dependente. Este fim-de-semana ela passou uma tarde em minha casa e foi a minha oportunidade de me vingar! 

 

- Avó, está na hora de lanchares. Faço-te um pãozinho com queijo?

- Não meu rico filho, não quero nada.

- Pronto, então dois pãezinhos com queijo?

- Ui! Não!

- Dois pãezinhos com queijo e uma bananinha! Já estou a fazer... 

 

O excesso de comida a que foi sujeita foi partilhado com as habitantes de quatro patas de cá de casa que, como devem calcular, ficaram fãs dela!

 

- Oh avó, então eu fiz o lanche para ti com tanto amor e carinho e tu estás a dar às cadelas?

- Mas eu também lhes estou a dar com muito amor e carinho. - respondeu ela. 

 

Demorei alguns anos a perceber que a comida às vezes, não é apenas comida, é um acto de amor... 

 

 

 

 

 

 

Black Friday

Chegou a tão esperada sexta-feira negra. E tão negra como a sexta-feira é a minha conta bancária!

 

Eu bem que enchi carrinhos de compras online, mas no momento de efectuar o pagamento percebi a escuridão que invadiria a minha vida quando chegasse a factura da electricidade que eu não teria dinheiro para pagar. Logo agora que anoitece mais cedo... 

 

Por isso, todas as compras que fizer hoje serão em lojas físicas e pagas em dinheiro. A angústia de ver o dinheirinho a sumir-se da carteira relembra-me que sou pobre e ajuda-me a controlar a mania da chiqueza que me assola. E pelo sim, pelo não vou ainda levar comigo a última factura da luz...

Quando as mulheres não compreendem os maridos

Quando assisti ao primeiro episódio do Casados à Primeira Vista não imaginava que me identificaria tanto com alguns concorrentes.

 

Na última semana, um dos concorrentes pediu à mulher para calçar os saltos altos dela. A cara que ela fez deve ter sido a mesma que eu fiz quando o meu Ex-coiso me apareceu lá em casa de leggings. Felizmente, ou infelizmente, não havia câmaras para filmar.

Adiante... Ela rejeitou o pedido e ele amuou. A relação esfriou e ela queixa-se que ele não a deixa conhecer.  

 

Daniela, amiga (permite-me que te trate assim porque estamos juntas), ele está a dar a conhecer-se. Ele já te disse que quer usar saltos altos, já disse que gostava de fazer coisas novas e fugir das rotinas. De que precisas mais mulher?! Aproveita que está a chegar o Natal, oferece-lhe um strap-on e vais ver como ele até mexe o lábio superior!