Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

saracasticamente

Hoje não dá, a minha cadela faz anos

Esta podia ser uma qualquer desculpa para não sair de casa, mas é verdade.

Viver comigo é um desafio. Eu sei porque eu própria vivo comigo e, às vezes, tenho muita vontade de fazer as malas. Os outros acabaram por se adaptar e perceber que é mais fácil ir na corrente do que me contrariar.  

 

Mãe: na quarta podíamos ir comer bifanas.

Eu: quarta não dá, são os anos da Miley.

Mãe: então e não podemos ir jantar e depois vir comer o bolo?

Eu: não dá tempo porque o pessoal chega por volta das 9.

Mãe: pessoal?! Vem mais gente?! Oh valha-me Deus...

 

Consegui convencer a família a festejar os 10 anos da Miley. Sim, há pessoal que hoje vai sair de casa, depois de um dia de trabalho, para vir cantar os parabéns a um cão! E no dia seguinte após esta conversa, a minha mãe apareceu em casa com umas velas para o bolo da bichana. 

Isto é a prova que a minha (in)sanidade mental é contagiante! 

 

Mas logo, apesar de gozarem comigo, todos vão comer bolo e socializar. A Miley vai estar radiante com tantos mimos, comida e prendas (sim, também há prendas). E eu, eu vou estar orgulhosa por ter conseguido manter um ser que depende de mim vivo por tanto tempo! 

 

Ansiosa por falecer

A TVI tem exibido a reportagem "Órfãos de filhos" na qual são entrevistados os pais dos jovens universitários que perderam a vida no Meco.

 

É curioso que todos eles eram boas pessoas e são super elogiados pelos progenitores. Todos eram felizes, bem dispostos, a alegria da casa. Eram bons filhos, o orgulho da família, tinham muitos amigos e eram amados por todos que os rodeavam. 

 

Se eu batesse as botas e os meus pais fossem entrevistados seria mais ou menos isto:

 

"Nós nem temos dado pela falta dela... Ela estava sempre no quarto, não fazia companhia nenhuma e não. E quando estava connosco era como se não estivesse, estava sempre tic-tic no telemóvel. Muito tinha ela que falar... Não fazia nada, passava o dia agarrada ao telemóvel e deitada no sofá a ver televisão. E tinha cá um feitio... Tinha de ser tudo à maneira dela. Por isso é que morreu solteira, ninguém estava para aturar aquilo." 

 

Só sou eu a única que está ansiosa por falecer para ser boa pessoa?!  

A hora certa para chegar a casa

É difícil sair de casa de inverno, principalmente à noite, mas de vez em quando lá faço o sacrifício porque ao que parece é suposto socializarmos com as pessoas e é assim que se mantém as relações. Pelo menos foi o que ouvi dizer...

 

No dia seguinte a uma da minhas saídas o rescaldo da família foi o seguinte:

- Ontem a noite não correu bem... Chegaste muito cedo... Tanta coisa, tanta produção para vir tão cedo para casa?

 

Nessa mesma noite voltei a sair, no dia seguinte o feedback foi bastante diferente:

- Caraças! Ontem à noite é que foi... Chegaste tarde...

 

Devo dizer que na primeira noite cheguei a casa às 00h30 e na segunda noite à 1h. Percebi que o horario ideal de recolha é às 00h45... 

 

 

Respeitem os bebés, mas respeitem também a minha sanidade mental

Depois da saga "beijar ou não beijar os avós" estreia a saga "os bebés têm direito a dizer não".

 

Sim, agora surge uma cronista das Capazes (de onde mais poderia vir isto) que vem dizer que os pais devem respeitar os limites pessoais dos seus bebés e aceitar os seus nãos. A cronista defende que devemos pedir permissão para lhes tocar e dá como exemplo a muda da fralda. Segunda ela, os pais devem pedir autorização ao filho para lhe mudar a fralda e caso ele diga que não devem respeitar a sua vontade.

 

Já estou a ver a coisa: 

- José António, filho, você borrou-se todo. Dá licença à mamã que lhe mude a fralda? (choro)

- Vá lá, José António, o cocó já está a sair pelas costas...

(choro ainda mais intenso)

- Pronto, José António, não se zangue com a mamã. Não quer mudar a fralda não mudamos.

 

Eu acho muito bem isto dos limites, do respeito pelo outro e também defendo que não é não.

E eu NÃO quero continuar a ler/ouvir estas merdas (literal e figurativamente).

Podem por favor respeitar-me?!

A pouca saudinha que resta aos meus neurónios agradecia-vos imenso...

Promovida a madrasta

Tenho o privilégio de poder torturar profissionalmente putos. Muitas são as vezes em que me questiono como é que os pais deixam os filhos ao meu cuidado, mas se os deixam com um tablet com acesso à internet faz sentido que também os deixem comigo.

 

Há uns tempos um dos meus miúdos, com 6 anos, pergunta-me durante uma consulta:

 

- Oh Sara, gostas de carecas?

- Gosto, nunca me fizeram mal nenhum. - respondi-lhe eu.

- Ainda bem! Vais gostar do meu pai, ele é careca e precisa de uma namorada.

 

Acho que o puto não percebeu bem as implicações disto... Se ele tivesse percebido que eu passaria a ser madrasta dele acredito que esta conversa não teria acontecido! 

Regresso às (aulas) redes sociais

Esta semana começaram as aulas. Terá sido difícil que não tenham reparado nisso...

Pelo menos as minhas redes sociais encheram-se de fotos de crianças. Eu não aprecio lá muito a canalha, mas para os pedófilos foi um dia muito feliz... Era só ir ao feed de notícias e lá estavam elas! Criancinhas todas bonitinhas e arranjadinhas com as suas mochilinhas prontas para irem para a escolinha. Prontas para a escola ou para a foto... No meu tempo, que não havia telemóveis nem redes socais, mandavam-nos para a escola de fato de treino. Mas isto sou só eu a tirar ilações...

 

As fotos eram ainda acompanhadas de um belo e emotivo texto evidenciando o orgulho que os papás têm nas suas crias por estas irem para a escola. Pergunto-me eu: elas têm outra opção? Ah e tal porque o meu filho está crescido e vai para a escola. Mas não é o que era suposto acontecer? O que dizem ser orgulho não será felicidade por despacharem as crianças para a escola o dia todo e como bónus ainda terem a possibilidade de culpar os professores pelo comportamento delas? Não será isso?

 

A minha geração não teve nenhum deste mediatismo. Os nossos pais não se orgulhavam de nós pelo simples facto de irmos para a escola e muito menos o publicitavam. Ou nós éramos umas abéculas ou então fomos uma geração muito mal amada! 

 

Já nestas crianças tenho muita fé... Estas crianças são verdadeiramente brilhantes... Estou ansiosa que se tornem adultos... (E coloquem muitas reticências nesta última frase)

 

 

Sobre o dia dos filhos

Ontem foi o dia dos filhos e eu fiquei atenta às notificações do Facebook à espera de uma declaração de amor dos meus pais. Não aconteceu...

 

Não sei como vou conseguir ultrapassar isto... Julgo que um depósito na minha conta fosse capaz de ajudar... Vou dar-lhes essa sugestão, talvez até diga que vá usar o dinheiro para a terapia.

 

Toda a gente sabe que se os pais não elogiam os filhos no Facebook é porque não gostam deles... A história da terapia é perfeitamente plausível! 

Prova de mau feitio

Sabemos que temos mau feitio quando já crescidinhos, com mais de 30 anos, vamos a um jantar e pelo caminho a nossa mãe nos dá indicações de como nos devemos comportar.

 

Se as pessoas te cumprimentarem cumprimenta-as e mostra-lhes boa cara. Sê simpática.

 

Como dá para perceber isto é mesmo mau feitio e não falta de educação. Os meus pais coitados deram o seu melhor...